quinta-feira, 5 de outubro de 2017

“A noiva cadáver” e “InuYasha”: O que eu vejo em comum entre os dois

Primeiro, eu não possuo formação em cinema, arte para fazer uma analise técnica, crítica com embasamento teórico, etc... esse texto é apenas uma singela observação de fã dessas duas obras.

Segundo, a ideia me veio essa manhã de forma aleatória e inesperada, simplesmente surgiu e outro acontecimento hoje (quem me conhece sabe a que me refiro) fez meu espirito gritar desesperadamente para escrever sobre isso, então eis aqui:

*AVISO SPOILERS*
Eu tentei não dar spoilers, mas não sou versada nesse tipo de texto, então receio que possa encontrar alguns, por isso, o aviso.
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"Loneliness" by HitokiriSakura2012
https://hitokirisakura2012.deviantart.com/art/Loneliness-208487274


Quem me conhece sabe que sou inufã, sim amo essa obra (InuYasha) da Rumiko Takahashi e gosto muito de alguns filmes do Tim Burton, “A noiva cadáver” está entre os meus favoritos, por abordar o efêmero, a vida, a morte e o renascimento, e sim, é possivel também associar InuYasha a essas palavras em alguns aspectos, a meu ver.

Com um olhar poético, é possível identificar vários simbolismos, tem alguns pontos cômicos, mas ainda assim, muitos temas trágicos, são abordados com delicadeza, no caso do filme e anime, o mangá é mais “gore”, pelo pouco que vi...um dia terei a coleção (eu espero ;-;), e torcendo para o relançamento em breve acontecer também.


Bom, de acordo com algumas fontes, “A noiva cadáver” seria (?) inspirado num conto/lenda russa adaptada de fatos, “...que ocorreram na Rússia do século 19, numa época em que o antissemitismo (preconceito contra judeus) era comum na Europa Oriental. Muitas vezes, bandos de antissemitas surpreendiam carruagens a caminho de casamentos judaicos e, como a noiva seria a única pessoa a “suportar” o peso das futuras gerações, eles tiravam ela a força da carruagem e a assassinavam, enterrando-a em seu vestido de casamento.”


Aqui o conto “A noiva cadáver” traduzido pela Laís do site http://fairytalelandstories.com


bride by janaschi
https://janaschi.deviantart.com/art/bride-110249097

Agora comentarei de alguns personagens e “passagens” do filme e tentarei comparar com InuYasha.

Emily e Kikyou

Emily (a noiva cadáver), romântica, apaixonada, fugiu com o amante, pois a união entre os dois era proibida, foi assassinada, mas seu objetivo de casar permaneceu “vivo”. 

Vejo muito disso na Kikyou, ao retornar a “vida”, seu objetivo foi unir-se a seu amante em “outro plano”, e após descobrir a verdade sobre sua morte e seu assassino, busca vingança (dito em suas próprias palavras). 

Ambas, Emily e Kikyou, são pessoas, cadáveres gentis e empáticas, Kikyou difere-se em amargura, pois sua nova vida foi sustentada por ódio, apesar de sua essência bondosa.

“Tudo que é puro se torna sujo, e o sujo se purifica, tudo que é mau se torna bom, e o que é bom se torna mau, tudo que vive morre e o que morre renasce.”  
Kikyou diz algo assim em um dos episódios, não sei se há isso no mangá.

E segue esse trecho de um poema sobre a Kikyou que infelizmente desconheço o autor:

“Sou uma sacerdotisa sem vida,
O ódio sustenta o meu corpo,
Vagando pela terra ferida,
Sustento a tristeza de um morto.

Queria sentir só mais uma vez,
Para nos meus braços te envolver,
Poder aliviar essa saudade,
Que dói mais do que morrer.” (...)”
Desconheço o autor

Agora segue trecho da música “Lágrimas pra dar” do filme “A noiva cadáver”.

“Quando toco a vela acesa,
Eu não sinto dor.
Tanto faz se estou no frio ou no calor.
O meu coração não bate,
Mas ainda assim se parte
E não deixa de sofrer,
Recusando se render.
A morte em mim está,
Mas ainda tenho lagrimas pra dar.”

Ambas, Emily e Kikyou invejam a “vida”, Emily considera-se inferior a Victoria, que exala vida em sua face, a cada respiração e Kikyou vê em Kagome, seu sonho de ser uma “mulher comum”, de vivenciar as coisas que outras jovens de mesma idade experimentavam, enquanto privara-se por seu dever, e principalmente o “sentir a vida” e o amor.

*Eu amo essas duas personagens, e ano que vem meu projeto cosplay é a Kikyou e em 2019 fazer cosplay da Emily <3


Victoria e Kagome

Ousadas, sinceras (e até petulantes conforme o contexto histórico), porém, a característica, mais forte é a gentileza e resignação.


Victor e InuYasha

Victor ama a noiva escolhida por seus pais (após conhece-la), enquanto por Emily desenvolve afeição por seu caráter. InuYasha ama Kikyou e ama Kagome, desenvolveu um amor distinto e intenso por cada uma. O que vejo em comum: rejeição, ambos, são incompreendidos, a culpa e o senso de dever e de honrar a palavra, de cumprir com promessas e proteção.


Scraps, Kirara e Buyo

Scraps é o esqueleto de um cãozinho que pertencia/pertence a Victor, Kirara é um neko youkai, que acompanha Sango, e Buyo o gatinho gordinho da Kagome. Em comum: são fofos e trazem conforto a seus tutores.



Agora contarei uma parte do filme, muito emotiva, sensível, que começou de forma sombria e terminou de forma cômica, bom, é a parte dos mortos “invadirem” a terra, um dos cadáveres se aproxima de um grupo de pessoas, e apesar de assustado a principio, um garotinho aproxima-se do morto e o reconhece como seu vovô e os dois abraçam-se com carinho, essa interação me lembrou de Rin e Sesshoumaru, o daiyoukai ferido, e Rin tentou ajuda-lo. Rin, acredito que possa representar a pureza e a curiosidade que a humanidade desprovida de ódio e preconceito é capaz de ser e sentir.


Vou encerrar por aqui, espero não ter dado muitos spoilers. Se eu me equivoquei em algo, por favor, comente.

2 comentários:

  1. A comparação entre os personagens é excelente, concordo plenamente com sua forma de pensar e analisar ambas as histórias.

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