sábado, 16 de maio de 2015

A promessa do bem te vi

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Avisto os primeiros raios de sol, adorável amanhecer, a promessa de um dia ensolarado. Escolho os melhores prendedores, aleatoriamente. Havia muitas roupas no varal, mas o pouco espaço disponível era suficiente para acolher mais algumas peças úmidas. Ao longe ouvia-se inquietos latidos, certamente os ruídos de automóveis ou mesmo passos apressados de pedestres os tenham despertados e instigado o descontentamento coletivo. pobrezinhos, pensei. quantos incômodos estes seres indefesos seriam alvo. todavia, estava um pouco aliviada, destes ruídos, surpreendentemente, não trazer transtornos para uma de minhas amadas cachorrinhas, que repousava tranquilamente sob minha cama, enquanto a outra em alerta observava os movimentos e sons externos, mas não pronunciava nenhum som indignado, apenas um olhar de decepção por ter despertado de seu soninho e preocupação por desentender o significado daqueles ruídos desagradáveis a sua delicada audição.
Outro som chamou-me atenção: o som estridente de buzina, talvez, uma das possíveis causas da irritabilidade dos cães da região, era familiar, durante a minha infância era um som frequente, me trouxe lembranças doces, era o algodão doce. o vendedor sempre anunciando sua chegada através da buzina, era um som distinto e específico, mas atualmente é indistinguível, seria o vendedor, seria algum veículo automotivo, enfim qual o significado?...não saberia dizer, questionava-me enquanto pendurava as roupas no varal. O sol ardia em minha face, delicado e aconchegante, o sol outonal de uma manhã de milagres... agraciada por presenciar e encantada com a beleza de uma canção de amor de um casal de bem te vis ou como o meu avô, carinhosamente os chama "dona benta". A plumagem amarela reluzia com o sol, mas somente um pássaro brilhava, apesar de estarem próximos, curiosamente o sol não iluminava um dos pássaros, justamente o que não entoava a linda canção. este apenas observava-o...seria uma serenata a luz da aurora ou consistia nos primeiros cumprimentos de "bom dia", este poderia ser para mim?!...seria pretensão, mas de imediato conclui...não apenas para mim, mas para todos dispostos a ouvir...prossegui meu trabalho. Em poucos instantes meu sorriso esconde-se assim como o sol por entre nuvens acinzentadas...inacreditável, irá chover!? questionei preocupada. Decepcionada e com um dilema, concluo ou altero o trabalho? Seria melhor roupas úmidas ou encharcadas? teria que vigia-las e ao primeiro sinal de chuvisco recolhe-las imediatamente. mas não poderia, havia outro compromisso. deveria confiar nos ventos, mas a cada passagem apresentava-se mais frio...o sol em minha face...a promessa... meu trabalho foi em vão?!...Indecisa e analisando as opções...o bem te vi retorna, mas somente um dos pássaros, com ausência do brilho solar sua plumagem não está ofuscante como antes, mas sua beleza e graça permanece imutável, seria o mesmo que dedicou-me os cumprimentos da manhã? fito sua imagem e o mesmo direciona-me um olhar carinhoso e entoa uma canção de esperança. Fortaleço a confiança...mesmo com ventos frios e poucas luzes de sol que atravessavam timidamente as nuvens, decido concluir meu trabalho. Após alguns minutos, o tempo instável tornou-se céu azul e os raios de sol estavam mais fortes...procurei o bem te vi, ainda estaria sob o telhado me observando?... mas não o vi, onde estaria? talvez em algum galho do limoeiro?queria agradecer...a promessa foi cumprida. 

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